MORTE SÚBITA E EXERCÍCIO
DEFINIÇÃO
Morte de origem cardiovascular que ocorre durante a prática do exercício e até uma hora após o seu término. Excluindo-se acidentes em esporte radicais como pára-quedismo, automobilismo, alpinismo, vôo livre, etc.
Os últimos acontecimentos de parada cardíaca e morte envolvendo praticantes de exercício físico no Rio de Janeiro reabriram algumas discussões sobre o assunto. Quais as causas? Quais os fatores de risco? Como prevenir? Qual o papel do exercício? Vale a pena praticar o exercício? Qual é o limite do exercício?
ANTAGONISMO
O exercício tem sido e realmente pode ser visto de forma antagônica. Se por um lado existe um imenso potencial preventivo na relação entre exercitar-se e morrer subitamente, também existe um risco definido de se morrer subitamente durante ou, especialmente, após a atividade física. Por isso, a morte súbita relacionada ao exercício deve ser analisada de forma crítica.
- Prós:
O hábito de exercitar-se de forma regular e de longo prazo proporciona um efeito protetor na prevenção da doença coronariana (infarto, angina). Diminuição na progressão ou, até mesmo, na regressão da aterosclerose das artérias do coração. Melhora do colesterol, perda de peso, diminuição da freqüência cardíaca e na pressão arterial de repouso, equilíbrio da glicemia e produção de novos vasos no coração (circulação colateral).
- Contra:
A presença de algumas doenças pré-existente faz o indivíduo perder a proteção do exercício, levando a eventos fatais. Ou melhor, o exercício, pode ser o causador do fato. Tais situações independem do nível de condicionamento físico, podendo acometer atletas altamente treinados ou pessoas que praticam exercícios físicos apenas eventualmente.
Incidência na população (Estatística):
Estudos sugerem que a morte súbita relacionada ao exercício físico ocorra em uma freqüência maior entre corredores de fundo do que em atletas de outras modalidades. A morte súbita entre os maratonistas tem sido estimada em um atleta morto para cada 50.000 que não tem eventos (0,002%).
- entre 4 e 7% de todos os IAM (Infarto agudo do miocárdio) são precedidos de exercício físico intenso.
- para praticantes de exercício: 1 morte em cada 165.000 praticantes por ano.
- para praticantes de 1 a 2x por semana = risco 19x maior.
- para praticantes de 3 a 4x por semana = risco 8x maior.
- para praticantes de 5 a 7 x semana = risco 2x maior.
Ocorre queda na incidência de morte súbita no exercício com a prática regular de atividade física. Numa análise final o custo é pequeno quando comparado aos benefícios. Esses números são da população sem check-up preventivo.
Quando é realizada avaliação médica prévia, voltada para as causas de morte súbita, esses índices caem drasticamente.
O exercício físico não deve ser encarado como único responsável pelo evento morte súbita, mas sim como coadjuvante em um sistema complexo que envolve uma patologia preexistente, por vezes silenciosa, e um momento crítico, o qual altera o equilíbrio de forma a iniciar a cadeia de eventos que culmina com a morte súbita. O exercício físico pode, então, ser encarado como este "momento crítico", ou, ainda, como um gatilho.
Atividade sexual
No que tange à atividade sexual, embora o gasto energético despendido na sua execução seja baixo, parece existir uma associação digna de nota com o aumento da incidência de infarto nas duas primeiras horas a partir de sua realização, sendo o risco relativo estimado de 2,5. Nesta situação, novamente, a atividade física regular mostrou exercer um papel protetor, pois aqueles sujeitos que se exercitavam regularmente apresentaram um risco relativo menor de eventos durante e pós-coito do que aqueles sedentários.
Causas:
Indivíduos abaixo de 30 anos: miocardiopatia hipertrófica em todas as suas variantes, anormalidades congênitas nas artérias coronárias, doença arterial coronária, ruptura da aorta por síndrome de Marfan. Outras causas menos comuns podem ser citadas: o uso de substâncias como a cocaína, a displasia arritmogênica do ventrículo direito, o espasmo arterial coronário, anemia falciforme e até mesmo o prolapso da válvula mitral.
Indivíduos acima de 30 anos: A principal é a doença arterial coronária. As valvulopatias adquiridas, o prolapso da válvula mitral, a miocardiopatia hipertrófica são responsáveis por 5% dos eventos.
Como evitar:
1- Realizar avaliação específica cardiológica e dos outros órgãos envolvidos no exercício, ante do início das atividades e cada 1 ano.
2- Pacientes com sintomas desagradáveis durante o exercício: taquicardia, tontura, enjôo, falta de ar, dor de cabeça, desmaio, dor na região do peito, devem parar as atividades e procurar com urgência seu médico.
3- Respeitar os limites de cada corpo, para isso é indispensável uma completa avaliação física, pois não espere ficar cansado para diminuir ou parar seu exercício, pode ser tarde demais.
Conclusão:
A Medicina esportiva e a Educação Física, nos dias de hoje, conseguem uma ótima avaliação e condução de cada indivíduo, para que ele consiga os maiores benefícios com os menores custos. Vale a pena investir nisso.
Bons treinos
Dr. José Alexandre Carvalho